Série de artigos sobre a Terapia da Linha Tempo® publicada na revista Conhecimento Sempre.
George Vittorio Szenészi
Nos artigos anteriores você entrou em contato com a noção de causa-raiz das emoções e dos problemas e com a experiência da linha do tempo. Conheceu o significado e a função das emoções e sentimentos desagradáveis e descobriu o que é o aprendizado no contexto da Terapia da Linha do Tempo.
Neste artigo vamos mostrar resumidamente a parte de uma sessão típica de Terapia da Linha do Tempo onde a técnica é utilizada. Com isto você poderá perceber a integração dos conceitos que apresentamos anteriormente. A título de ilustração, vamos focalizar somente a técnica em si e deixar de lado outras partes da comunicação e do processo que viabilizam e integram a terapia.
Paulo, nosso cliente, já vem estando em terapia comigo há algumas poucas sessões. Estamos no momento de usar explicitamente a linha do tempo para limpar a causa-raiz de suas emoções. Hoje estamos trabalhando a coleção de memórias de raiva em sua vida. Paulo é uma das pessoas que guarda muitas lembranças de raiva. Com freqüência ela vem à tona até com as pequenas frustrações que acontecem no dia a dia. Na realidade ele "explode" com muita facilidade.
Após uma preparação específica, perguntei: "Se você soubesse qual é a causa-raiz de sua raiva, este evento aconteceu antes, durante, ou depois de seu nascimento?" Após um breve instante, Paulo responde: "Foi depois." Perguntei: "Que idade você tinha?" Ele me responde: "Dois meses". (Sabendo perguntar, o inconsciente responde muito rapidamente!)
Terapeuta: "Então entre em contato com sua linha do tempo. Flutue acima de sua linha do tempo e tome a direção do passado e volte àquela memória. Por favor me informe quando estiver lá." Passados alguns instantes:
Paulo: "Estou lá."
Terapeuta: "Que emoção está aí?"
Paulo: "É a raiva."
Terapeuta: "Paulo, o que há para aprender deste evento, o aprendizado que vai permitir a você livrar-se desta emoção e de toda sua história de raivas de maneira fácil e segura? Confie no seu inconsciente e guarde estes aprendizados para seu futuro."
Paulo: (Aguarda alguns segundos e inspira profundamente.)
Terapeuta: "Você aprendeu o que precisava aprender?"
Paulo: "Sim", diz confirmando com um movimento da cabeça.
Terapeuta: "Você sabe conscientemente o que aprendeu?"
Paulo: "Não, não sei. Mas sei que aprendi". (A maior parte das vezes o aprendizado se dá num nível inconsciente.)
Terapeuta: "Ótimo. Agora flutue um pouco para o passado, e do passado olhe na direção do agora. Observe o evento à sua frente e abaixo de você. Onde está a emoção de raiva?"
Paulo: "Ela desapareceu!... Eu estou calmo e dormindo!"
Terapeuta: "Muito bem ... Agora tome a direção do agora por cima de sua linha do tempo. E permita que sua mente inconsciente aprenda com cada evento subsequente, reavalie e reorganize cada memória onde antigamente havia raiva, limpe cada emoção e chegue ao agora."
Alguns segundos depois Paulo abre os olhos.
Terapeuta: "Como você está?"
Paulo: "Muito leve... (Paulo para e fecha os olhos por mais uns quinze segundos) Enquanto eu voltava, parecia que minhas articulações iam se soltando. Foi muito estranho... foi um alívio."
Terapeuta: "Se eu pedisse a você para se lembrar de um daqueles momentos de seu passado que quando você pensava sobre ele a raiva retornava, como se sente agora?"
Paulo volta-se para dentro de si mesmo por uns instantes. Volta a uma de suas memórias e diz:
Paulo: "Agora não tem mais nada. A raiva sumiu. É apenas um fato, sem emoção. Muito estranho!"
Terapeuta: "Não ficou nenhum sentimento?"
Paulo: "De raiva não. Ficou uma espécie de compreensão, de tolerância, algo assim. É um sentimento de "não vale a pena se incomodar com isso" ".
Terapeuta: "E se você for para um momento de seu futuro, um momento qualquer que se fosse no passado você sentiria aquela raiva, como você vai se sentir?"
Paulo: "Vou ter mais tranqüilidade. Com certeza não vou explodir. Parece que vai ser uma reação normal, equilibrada."
Alguns meses mais tarde fui apresentado à sua esposa. Ela está muito contente e diz "A mudança de Paulo foi impressionante. As crianças estão mais tranqüilas, sem aquele medo do pai brigar. Mas acho que quem ficou mais contente lá em casa foi a empregada. Era talvez a pessoa que mais se assustava com as explosões de raiva dele."
Simples mas não simplista, rápida e sofisticada em seus detalhes, a Terapia da Linha do Tempo, além de limpar emoções desagradáveis, permite uma série de outros benefícios terapêuticos. Pode-se neutralizar crenças e decisões limitantes, mudar a direção da linha do tempo em alguns raros casos quando isto é necessário e planejar e objetivar o seu futuro. É um valiosíssimo auxiliar no tratamento de doenças e sintomas físicos ao permitir a neutralização de emoções negativas e o acesso às causas mentais e psicológicas dos problemas orgânicos. Associada a outros instrumentos como o estudo dos valores pessoais, a hipnose e a programação neurolingüística, a Terapia da Linha do Tempo tem permitido a terapeutas mentais e psicológicos serem mais efetivos, precisos e suaves em suas intervenções de ajuda.